Dengue em 2026: o que mudou na prevenção e o que ainda preocupa os especialistas
Ilustração: Correio do Dia
O Brasil respirou um pouco mais aliviado no primeiro semestre de 2026. Os casos de dengue caíram cerca de 35% em relação ao mesmo período de 2025, que foi um dos piores anos da história da doença no país. Mas os especialistas pedem cautela antes de qualquer comemoração.
"Uma queda em um ano não significa que o problema foi resolvido. O Aedes aegypti ainda está presente em praticamente todos os municípios brasileiros, e as condições que favorecem a proliferação do mosquito — calor, chuva, urbanização desordenada — não mudaram", explica a epidemiologista Carla Rocha, da Fiocruz.
O que explica a queda
A redução nos casos em 2026 tem explicações múltiplas. A imunidade adquirida pela população durante o surto massivo de 2025 é um fator importante — quem teve dengue por um sorotipo específico fica imune a ele. A vacinação, embora ainda limitada, também contribuiu em municípios que conseguiram implementar campanhas mais amplas.
O clima também ajudou: o primeiro trimestre de 2026 foi mais seco em várias regiões do país, o que reduziu os criadouros do mosquito. Mas esse é exatamente o tipo de fator que não se controla.
O alerta dos novos sorotipos
O que preocupa os pesquisadores é a circulação crescente do sorotipo DENV-3, que estava praticamente ausente no Brasil há mais de uma década. Uma parcela significativa da população não tem imunidade a ele — o que significa que um surto desse sorotipo poderia atingir pessoas que nunca tiveram dengue antes.
"Estamos monitorando de perto. Se o DENV-3 ganhar força no segundo semestre, podemos ter uma situação complicada", diz Rocha. A vigilância epidemiológica, portanto, continua sendo essencial — independentemente dos números do primeiro semestre.
O que cada um pode fazer
A mensagem dos especialistas não mudou: eliminar criadouros de água parada é a medida mais eficaz de prevenção individual. Pratos de vasos, pneus, garrafas, calhas entupidas — qualquer recipiente que acumule água pode ser um criadouro. A responsabilidade coletiva é insubstituível.