Economia

Pequeno comércio resiste: como os mercadinhos de bairro sobrevivem ao avanço das grandes redes

Enquanto supermercados expandem e aplicativos de entrega crescem, os pequenos mercados de bairro encontram formas criativas de manter clientes fiéis.
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Ilustração: Correio do Dia

O mercadinho da esquina parecia condenado. Com a chegada dos grandes supermercados, dos atacarejos e, mais recentemente, dos aplicativos de entrega rápida, a lógica econômica sugeria que o pequeno comércio de alimentos seria engolido pela concorrência. Não foi bem assim.

Segundo dados do IBGE, o número de pequenos estabelecimentos de comércio varejista de alimentos cresceu 12% entre 2020 e 2025. Parte desse crescimento é explicada pela formalização de negócios que já existiam na informalidade. Mas parte é genuína — novos mercadinhos abrindo, especialmente em bairros periféricos e em cidades médias.

O que o grande não consegue fazer

Dona Conceição tem 61 anos e um mercadinho no bairro de Madureira, no Rio de Janeiro, que ela herdou do pai há vinte anos. Ela não tem aplicativo de delivery, não aceita cartão de crédito de todas as bandeiras e não tem estacionamento. Mas tem algo que os grandes não conseguem replicar: ela conhece os clientes pelo nome.

"Quando o senhor João está doente, a filha dele liga e eu separo as compras. Quando a família da dona Maria está passando por dificuldade, a gente abre um crédito. Isso não existe no supermercado grande", ela conta.

A confiança e a proximidade são ativos reais. Pesquisas de comportamento do consumidor mostram consistentemente que conveniência e relacionamento pessoal são fatores decisivos para uma parcela significativa dos compradores — especialmente em populações de renda mais baixa, onde a confiança no crédito informal ainda é importante.

Adaptação e sobrevivência

Os mercadinhos que estão crescendo são os que souberam se adaptar sem perder a identidade. Alguns adotaram sistemas simples de pagamento digital. Outros diversificaram o mix de produtos, incluindo itens de padaria ou açougue. Alguns fecharam parcerias com fornecedores locais — hortifrúti da região, queijo artesanal do interior.

A lição é que o pequeno comércio não precisa competir com o grande no mesmo terreno. Precisa jogar um jogo diferente — e há espaço para isso.

Evolução: 2021–2026 2021 2023 2025 2026
Roberto Andrade
Roberto Andrade
Editor-chefe — Correio do Dia

Jornalista especializado em economia. Cobre temas relevantes para o Brasil contemporâneo com rigor e clareza.