Transporte público em crise: o que as cidades brasileiras precisam fazer agora
Ilustração: Correio do Dia
Quem usa ônibus em qualquer grande cidade brasileira conhece a rotina: espera longa, lotação, atraso, veículos velhos. O transporte público urbano brasileiro está em crise há décadas — mas a crise parece ter se aprofundado nos últimos anos, e as soluções continuam escassas.
Os dados são preocupantes. A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) estima que o número de passageiros no transporte coletivo urbano caiu cerca de 20% entre 2019 e 2025, mesmo com o crescimento populacional das cidades. As pessoas não estão viajando menos — estão usando outros meios.
O ciclo vicioso
O problema tem uma lógica perversa. Quando o serviço piora, passageiros migram para alternativas — carro próprio, aplicativos de transporte, moto. Com menos passageiros, a receita das operadoras cai. Com menos receita, o investimento em frota e manutenção diminui. O serviço piora mais. Mais passageiros saem. O ciclo se repete.
Quebrar esse ciclo exige investimento público significativo — subsídio, renovação de frota, integração tarifária, expansão de linhas. Mas as prefeituras, em sua maioria, estão com orçamentos apertados e outras prioridades disputando os mesmos recursos.
Exemplos que funcionam
Não faltam modelos bem-sucedidos no Brasil e no mundo. Curitiba tem um sistema de BRT que é referência internacional. Fortaleza investiu em integração tarifária e viu a demanda crescer. São Paulo expandiu sua rede de metrô e trem, ainda que de forma insuficiente para a demanda.
O que esses exemplos têm em comum é vontade política sustentada ao longo de vários mandatos — algo difícil de garantir num sistema político de ciclos curtos. Mas sem essa continuidade, o transporte público continuará sendo o que é hoje: um serviço de segunda categoria para quem não tem outra opção.